“Cegueira Plúmbea” – Dom Aloísio Oppermann

[Reproduzindo, só para garantir. Está já há quase quinze dias no site da CNBB, por impressionante que seja. Acho que a censura CNBBêica é burra; lembram-me as histórias sobre as músicas de Chico Buarque que, para burlar a censura militar, trocava “Cale-se” por “Cálice” e ficava tudo muito bem. Para bom entendedor, meia palavra basta: afinal, todo mundo sabia que “amanhã vai ser outro dia” é uma crítica política, e não uma canção de amor. E todo mundo sabe que o artigo de Dom Oppermann é uma dura crítica política, e não um ensaio histórico.

Fonte: CNBB.]

Cegueira Plúmbea

O fascismo chauvinista alemão se estabeleceu, entrando pela porta da frente. Hitler manipulou a alma alemã, com recursos de encantamento irresistível. Seu nome estourou nas urnas. Estava tão certo da vitória que não ocultou nenhum de seus tenebrosos pensamentos. Todos conheciam suas pregações imperialistas, seu gosto pelo uso da força, sua arrogância diante dos judeus, sua presunção de superioridade da raça ariana. Um observador, colocado a certa distância, poderia prever a colisão inexorável que aconteceria entre o bem do povo alemão, e o programa foguetório do regime político, que deveria arrostar todas as conquistas civilizatórias. É a história do passarinho encantado, que fica à disposição da cobra que o engole sem escrúpulos.

Não sou daqueles que consideram a Revolução de 31 de março, como um mal absoluto. As intenções foram boas, tendo recebido o firme apoio da opinião pública. Os nobres ideais foram obumbrados, progressivamente, pelo uso abusivo do cerceamento das liberdades. Com o correr do tempo, as lideranças socialistas, em vez de se converterem, entraram na clandestinidade. Mas posteriormente retornaram, entre aplausos, e ocuparam tranquilamente quase todos os escalões da República cripto-socialista. Certíssimos do sucesso, já se tem como garantida a execução de alguns programas antiqüíssimos: a interrupção violenta da gravidez; o enfraquecimento da vida familiar, pelo apoio a outros tipos de “família”; a redução à obediência de veículos de comunicação através de prêmios e castigos; a insegurança dos direitos constitucionais;  a subserviência do poder judiciário; a impossibilidade de manifestação religiosa em  público; a descaracterização do país de qualquer sinal cristão, depois de termos passado ao povo, durante séculos,  os ensinamentos de Cristo…Será que se avizinha o tempo em que precisamos ocultar que somos católicos? A vitória desse programa “moderno” parece ser tão evidente como o pôr do sol antes da noite escura. O nosso veículo tem freio e tem direção. Enxergamos o perigo que se avizinha? “Eis agora o dia da salvação”  (2 Cor 6, 2 ). Ainda podemos evitar o grande mal.

Dom Aloísio Roque Oppermann

Dom Luiz Bergonzini vs. CNBB – a repercussão

Alguns exemplos, entre muitos, da enorme repercussão que teve o artigo do bispo de Guarulhos censurado pela CNBB. Louvado seja Deus, porque os verdadeiros católicos não estão mais se deixando enganar pelos descalabros da Conferência Episcopal. A máscara está caindo. Está ficando cada vez mais evidente quem é que serve à Igreja de Cristo e quem é que serve, no fundo, à Sinagoga de Satanás. O conluio promíscuo entre os sucessores dos Apóstolos e os inimigos da Cruz de Cristo precisa ser desfeito, ad majorem Dei Gloriam. Rezemos pelo Brasil, rezemos pelos senhores bispos, rezemos pela Conferência Episcopal.

1. Dilma vs. Dom Luiz Bergonzini (En Garde!): “O fato de não ser a posição da CNBB não importa patavina nenhuma, porque a CNBB não faz parte da Hierarquia da Igreja, não é sujeito do poder magisterial, de ensinar a verdade e advertir sobre o erro. A CNBB, como toda Conferência Episcopal, é tão-somente uma estrutura jurídico-canônica, que não goza de poderes magisteriais. Um Bispo, ao invés, é parte da Hierarquia da Igreja, composta pelo Papa, os Bispos, os presbíteros e os diáconos. A Ordem do Episcopado – Papa e Bispos, sendo o Papa o Chefe dos Bispos – é sujeito do poder magisterial na Igreja, do poder de ensinar. Então, D. Luís Gonzaga Bergonzini tem, sim, o poder de ensinar para sua Diocese, em virtude de ser detenter do terceiro grau do Sacramento da Ordem, o Episcopado”.

2. O apagão da CNBB (O Possível e o Extraordinário): “O apagão da CNBB custou caro. Antes restrita à leitura dos fiéis mais assíduos aos blogs, sites e listas de discussão católicas, a mensagem de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini ganhou ampla repercussão ao ser divulgada nos noticiários de grandes portais brasileiros como O Globo, Terra, Estadão, G1. No artigo o bispo recomenda “a todos verdadeiros cristãos e verdadeiros católicos que não dêem seu voto à Senhora Dilma Rousseff e demais candidatos que aprovam tais “liberações” [legalização do aborto, casamento gay…], independentemente do partido a que pertençam”. Artigo apagado, iluminou-se o debate entre todos que são contrários à legalização do aborto no Brasil: pode-se votar, para presidente do Brasil, em um candidato(a) comprometido com a legalização do aborto? É claro que não. E a razão é simples! O voto em um abortista legalizará o aborto em nosso país, tornará o crime um direito e abrirá as portas para que os verdadeiros direitos de cada ser humano possam ser cerceados por questões políticas, pressões de lobbies de grupos ideológicos, ou por mero capricho de autoritarismo. Afinal, quando o ser humano não tem seu principal direito respeitado, o direito de nascer, que outros direitos podem lhes ser garantidos?”

3. Mitras em conflito (Fratres in Unum): “Dom Bergonzini ainda declarou ao G1: “vou mandar uma circular para os padres da diocese pedindo que eles façam o pedido na missa, para que os nossos fiéis não votem na candidata do PT e em nenhum outro candidato que defenda o aborto. Desde o Antigo Testamento, temos que é proibido matar. Uma pessoa que defende o aborto não pode ser eleita. Eu tenho obrigação de orientar meus fiéis pelo que está certo e o que está errado”, disse o bispo, a um ano de atingir 75 anos, a idade limite para apresentar sua renúncia ao Papa. É certo: a CNBB e o senhor Núncio Apostólico já estão providenciando um sucessor digno da herança dos infelizes antístites vermelhos idolatrados pela corja modernista da CNBB”.

O fato de não ser a posição da CNBB não importa patavina nenhuma, porque a CNBB não faz parte da Hierarquia da Igreja, não é sujeito do poder magisterial, de ensinar a verdade e advertir sobre o erro. A CNBB, como toda Conferência Episcopal, é tão-somente uma estrutura jurídico-canônica, que não goza de poderes magisteriais.
Um Bispo, ao invés, é parte da Hierarquia da Igreja, composta pelo Papa, os Bispos, os presbíteros e os diáconos. A Ordem do Episcopado – Papa e Bispos, sendo o Papa o Chefe dos Bispos – é sujeito do poder magisterial na Igreja, do poder de ensinar. Então, D. Luís Gonzaga Bergonzini tem, sim, o poder de ensinar para sua Diocese, em virtude de ser detenter do terceiro grau do Sacramento da Ordem, o Episcopado.

CNBB censura artigos de bispos

Isto é incrível! O lúcido e corajoso artigo de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini sobre as eleições (que eu reproduzi aqui), provavelmente o melhor artigo sobre a situação política atual no Brasil saído da pena de um bispo, foi censurado pela CNBB!

Ontem, neste link, o artigo estava integralmente reproduzido no site da CNBB. O fato provocou uma grata surpresa em muitos – p.ex., via Twitter – que vislumbravam, enfim, uma luz no fim do túnel quente, escuro e sulfúreo de dentro do qual a Conferência costuma emanar os seus comunicados e decretos. Ontem à noite, para a minha surpresa, soube en passant que o artigo havia sido retirado, e só hoje confirmei o fato: há uma mensagem de “404 – Artigo #4132 não encontrado” na página onde, ainda ontem, ecoavam as sábias palavras do bispo de Guarulhos.

Não obstante, no mesmíssimo site da CNBB ainda se encontra, até agora, um artigo que leva por título “Pastorais Sociais e Organismos da CNBB confirmam apoio ao plebiscito pelo limite de propriedade da terra e ao Grito dos Excluídos”, sobre cujo assunto qual eu também já comentei aqui. Inclusive está, no site da CNBB, a íntegra da nota de Dom Pedro Luiz Stringhini.

Nesta nota pode se ler: “convidamos os cristãos e cristãs das dioceses, paróquias, comunidades, movimentos a engajarem-se neste exercício de cidadania”, qual seja, o plebiscito. Curiosamente, no mesmo site da CNBB, (ainda) tem outro artigo, este bom, de Dom Aloísio Roque Opperman, que está censurado. O original (que recebi por email) dizia ainda: “” (p.s.: enganei-me. O artigo de Dom Opperman está na íntegra – mea culpa. O que foi “censurado” – na verdade, não publicado – foi o de Dom Cristiano Krapf, que também pus aqui no Deus lo Vult!, e que dizia com clareza: “nenhum católico é obrigado a participar de uma campanha promovida por uma entidade qualquer, mesmo que conte com o apoio de setores da CNBB”).

A conclusão que se impera, portanto, para longe de qualquer dúvida, é que o site da CNBB não pode ser considerado um site católico. Afinal de contas, os próprios bispos têm, lá, o seu ensinamento censurado! Ao passo que outros falam o que bem entendem. Que vergonha!

“Campanha de embolar o campo com ‘plebiscito’ popular” – Dom Cristiano Krapf

[Mais um bom artigo de um bispo (este, recebido por email): Dom Cristiano Krapf critica o plebiscito sobre o limite da propriedade da terra. Merece ampla divulgação. Deus seja louvado pelos bispos estarem rompendo a cortina de silêncio (às vezes, de criminosa cumplicidade…) imposta pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Cabe perguntar: afinal de contas, a CNBB apóia ou não este plebiscito esquerdista?]

Campanha de Embolar o Campo com “Plebiscito” Popular

Dom Cristiano Krapf, Bispo de Jequié, BA

Diante da pobreza de milhões de brasileiros nesta terra tão rica em recursos naturais, até pessoas bem intencionadas se deixam instrumentalizar por adeptos de uma ideologia anticapitalista e antineoliberal que ainda tem a ilusão de construir uma sociedade mais justa pelo atalho da luta de classes.

Já no último dia da Reunião dos Bispos em Brasília tivemos um breve tempo de estudo em grupos e apresentação de emendas para um texto de 55 páginas sobre a Questão Agrária, com a proposta de envolver a CNBB numa campanha para limitar por lei arbitrária o tamanho de propriedades rurais.

Faz muito tempo que tal projeto é tramado nos bastidores de setores que desejam radicalizar a reforma agrária. Ainda achei uma brecha para dizer que seria muito melhor insistir na exigência da função social de toda propriedade, em vez de perturbar o trabalho de pessoas que fazem a terra produzir. Tentei oferecer um texto crítico que fiz às pressas com argumentos razoáveis contra a tentativa de atacar e atrasar o desenvolvimento de uma agricultura moderna num país com a vocação de ser o celeiro do mundo neste século de perspectivas ameaçadoras de conflitos crescentes por alimento, por energia e por água.

Não conseguindo distribuir a todos o meu texto sobre o tal plebiscito, o mandei aos colegas pela internet, junto com outro mais elaborado sobre a Questão Agrária para Bispos, que ainda está guardado no meu Blog, porque se refere à primeira versão do texto da CNBB, do qual ainda não vi a versão final.

Quando questionei o envolvimento oficial da CNBB numa campanha contra grandes propriedades rurais que só servirá para agitar ainda mais o ambiente rural, recebi a resposta que não seria publicado um documento na coleção azul, mas apenas um texto para estudo na coleção verde. No entanto, já começou a campanha com a coleta de assinaturas e com a mobilização do povo para o grito dos excluídos. Quem não participar, será criticado como se não estivesse interessado na melhora de vida do homem do campo.

Na CNBB, quando um bispo assume posições muito definidas, os outros não gostam de apresentar opiniões divergentes. Isso ficou claro quando alguns queriam mobilizar a Igreja toda contra projetos de transposição de água do São Francisco e de hidroelétricas na Amazônia.

Pessoalmente, não vejo por que todos os bispos deviam marchar unidos contra projetos complicados que dividem as opiniões dos envolvidos e dos entendidos. Vejo que muitos fabricam argumentos para justificar seus objetivos, em vez de escolher seus objetivos de acordo com a verdade objetiva da razão.

Precisamos cuidar da unidade na doutrina, na liturgia, na solidariedade. Em questões de política econômica, não cabe à CNBB impor seus pontos de vista a ninguém. As opiniões de cada bispo valem de acordo com o peso dos seus conhecimentos manifestados nos seus argumentos. Viva a liberdade!

Não quero impor as minhas opiniões. Quero apenas oferecer meus argumentos pessoais aos interessados no assunto, e deixar claro que nenhum católico é obrigado a participar de uma campanha promovida por uma entidade qualquer, mesmo que conte com o apoio de setores da CNBB. Ninguém pode exigir que todo católico venha embarcar na canoa furada desse “plebiscito”.  Tal campanha contra o tamanho das propriedades rurais só fará aumentar os conflitos no campo. Quem sobreviver verá.

Na proposta que surgiu na nossa Assembléia faltou definir coisas importantes:

1)   Qual deve ser o tamanho limite das propriedades?

2)   A desapropriação será com indenização ou por confisco sumário?

3)   Quem receberá a terra pronta e as benfeitorias de presente? O invasor que chegar primeiro? Os amigos dos donos do poder?

Agora, o Forum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, FNRA, já diz qual deve ser o Limite da Propriedade: 35 módulos fiscais Um manual recente do FNRA explica que um módulo tem entre 5 e 110 hectares. Segundo o INCRA, em regiões de São Paulo boas para culturas permanentes um módulo tem dez hectares. Portanto, propriedades que ultrapassam 350 hectares serão desapropriadas.

Com as leis atuais que protegem fazendas produtivas, já acontecem invasões de áreas plantadas. Aqui na Bahia, invasores de terras alheias cortaram pés de eucaliptos com o argumento tolo que pobre não come madeira. Alguém imagina que grandes plantações de laranja, de café, de cana, de soja, de eucaliptos, seriam entregues sem resistência ao primeiro invasor que chegar? Ou será que ainda existem movimentos que sonham com revolução?

No sertão difícil, os módulos são bem maiores, mas o pessoal não dorme no ponto. Vão procurar as regiões melhores. Já existem assentamentos que produzem pouco, mas onde receberam casas perto de cidades. Outros procuram lugares de futuro turístico. Assentamentos no interior do sertão só sobrevivem enquanto continuam recebendo ajuda.

Resumindo, a proposta do FNRA é esta: Confiscar as grandes fazendas:

Áreas acima de 35 módulos sejam automaticamente incorporadas ao patrimônio público e destinadas à reforma agrária.

Jequié, 17 de Julho de 2010
+ Cristiano Krapf

CNBB apóia plebiscito sobre limite da propriedade da terra

A notícia não é tão nova (saiu no Fratres na semana passada), mas nem por isso se torna menos escandalosa. A CNBB divulgou uma carta de apoio a um plebiscito marxista “pelo limite de terra”. O original (no site da CNBB Sul 4) pode ser lido aqui.

Como bem notou um amigo meu, o símbolo do plebiscito, além de “uma pomba entregando uma mensagem”, lembra desconcertantemente a figura de uma foice e um martelo. E eu simplesmente não acredito que o meu amigo tenha sido a primeira pessoa na face da terra a notar a semelhança. Considerando, ainda, o viés fortemente esquerdista da própria proposta que está sendo colocada para apreciação popular no plebiscito, resta extremamente improvável que tudo isso seja somente uma grande coincidência.

Publiquei um comentário no site da CNBB onde foi originalmente divulgada a carta. Até o presente momento, encontra-se “aguardando moderação”. Para não correr o risco de que ele se perca na sanha persecutória da esquerda cnbbêica, publico-o aqui também:

Jorge Ferraz O seu comentário aguarda aprovação.

Publicado em 13 julho 2010 as 23:10

Mas que palhaçada!

O direito à propriedade é um direito natural, e o comunismo já foi incontáveis vezes condenado pela Igreja. Por que Sua Excelência Reverendíssima, ao invés de apóiar um plebiscito de cunho marxista que atenta contra um direito natural, não se preocupa em protestar contra o aborto, contra os jovens que não vivem a castidade, contra a banalização do Matrimônio e da Família, contra as perseguições que sofre a Igreja de Cristo, contra a proliferação das seitas e heresias, contra o relativismo, contra a falta de decoro na celebração da Liturgia da Igreja, e contra tantas outras coisas mais que ele deveria, como bispo católico, ter a coragem de combater?

O fato é que a Doutrina Social da Igreja sofre terrivelmente na mão de alguns de seus “interpretadores” tupiniquins. A despeito de reconhecer a reforma agrária como “além de uma necessidade política, uma obrigação moral” (Compêndio, n. 300), resta evidente para qualquer pessoa semi-alfabetizada que o Brasil não pode ser contado entre os países em que “o latifúndio improdutivo, condenado pela doutrina social da Igreja, representa [um impedimento] a um autêntico desenvolvimento econômico” (id. ibid.). Afinal, como consta no próprio texto oficial do abaixo-assinado, o seu “objetivo final é pressionar o Congresso Nacional para que seja incluído um novo inciso no artigo 186 da Constituição Brasileira, que trata da Função Social da terra, para limitar o tamanho máximo da propriedade em 35 módulos fiscais”. Nem uma palavra sobre “latifúndios improdutivos”. Simplesmente quer-se limitar o tamanho da propriedade privada, pouco importando se a mesma é produtiva ou não. Acaso está palhaçada está de acordo com a Doutrina da Igreja? Acaso a Conferência não tem outras coisas com as quais se preocupar?

Sobre o mesmo assunto, vale a pena ler o artigo publicado pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira. Destaco: “[h]á alguns dias Bento XVI disse em homilia no Vaticano que nenhum governo pode tentar “modificar” ou “destruir” os princípios da Lei Natural, sob pena de levar o país ao relativismo e ao totalitarismo. Ora, entre os princípios da Lei Natural está o direito de propriedade. (…) Infelizmente, correntes infectadas de comunismo e socialismo se infiltraram nos meios católicos, dando origem ao chamado progressismo. (…) Em nome da paz e da justiça, tal corrente propugna diversas medidas para cercear o direito de propriedade”.

CNBB e escândalos

Escândalo 1, via Fratres in Unum: CNBB apóia plebiscito sobre limitação da propriedade da terra no Brasil.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, divulgou esta semana a carta em apoio ao Plebiscito Popular pelo limite máximo da propriedade da terra no Brasil.

No documento, as coordenações regionais e nacionais das Pastorais Sociais e Organismos da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da CNBB, assumem o compromisso de participar do 16º Grito dos Excluídos e da organização do Plebiscito Popular.

“Esta decisão tem como base a consciência de que a democratização da terra através da reforma agrária é uma luta histórica do povo e uma exigência ética afirmada pela CNBB há décadas. É também a realização de um gesto concreto proposto pela Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010.”

Escândalo 2, via O Possível e o Extraordinário: Fundação Ford.

Pense rápido: qual é a organização que mais recebeu dinheiro da Fundação Ford (FF), em 2010, dentre as 34 organizações/instituições brasileiras apoiadas pela FF?

Se você pensou em uma ONG abortista… Errou! De acordo com o site Ford Foundation a organização que mais recebeu dinheiro deles foi a Comissão Pastoral da Terra (CPT), organismo ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O site registra que, só em 2010, a pastoral católica recebeu a bolada de US$450 mil dólares.

Além da católica CPT, a Cáritas Brasileira, outra organização ligada à CNBB, recebeu, em 2010, o montante de US$200 mil dólares. Juntas, essas duas organizações católicas recebem da Fundação Ford três vezes mais que a organização pró-aborto Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA).

Acho curioso que uma fundação comprometida com o financiamento de ações em prol da legalização do aborto no Brasil invista tanto dinheiro em organismos católicos ligados à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Realmente curioso… Não poderia passar em branco.

Alguém explica o que é que está acontecendo?

As desorientações pastorais e doutrinárias da CNBB

Mostraram-me que a CNBB havia divulgado orientações sobre as eleições. Para ser mais preciso, “[u]ma nota intitulada “Votar Bem” com dez orientações sobre a participação dos fiéis nas próximas eleições foi divulgada nesta quinta-feira, 1, pelos 50 bispos do Regional Sul 1 da CNBB (estado de São Paulo), que participaram da 73ª Assembleia dos Bispos do Regional”.

Fui ver a nota. Nada surpreendentemente, ela apresenta em sua virtual totalidade um tom esquerdizante e naturalista, apenas com alguns surtos (mínimos) de catolicidade – mas mesmo assim tíbios o bastante para serem, na melhor das hipóteses, inócuos. São, na verdade, desorientações. Mais confundem do que ajudam.

O exemplo mais claro disso que estou falando pode ser visto da seguinte maneira: é óbvio que a Igreja não tem (e nem pode ter) candidato político. Mas a Igreja pode e dever dizer quem NÃO é um candidato aceitável. Ora, nas citadas orientações, qual a única ocasião em que é dada uma orientação negativa? É justamente quando, no ponto 6, diz-se que “[c]andidatos com um histórico de corrupção ou má gestão dos recursos públicos não devem receber nosso apoio nas eleições”.

Ou seja, segundo a Regional Sul 1 da CNBB, a única coisa que é inaceitável na política brasileira a ponto de merecer uma “desrecomendação” pública e expressa é… a má gestão dos recursos públicos! E o aborto? Quem apóia aborto pode receber o apoio dos católicos nas eleições? Na nota, isso não está dito com a ênfase necessária. Orienta-se apenas que se “veja” (sim, o verbo é esse mesmo!) “se os candidatos e seus partidos estão comprometidos com a justiça e a solidariedade social, a segurança pública, a superação da violência, a justiça no campo, a dignidade da pessoa, os direitos humanos, a cultura da paz e o respeito pleno pela vida humana desde a concepção até à morte natural”. Só no final de uma longa e enfadonha lista é feita menção ao aborto, e mesmo assim sem nem mesmo usar a palavra exata.

E o Gayzismo? Pode-se dar o voto a gayzistas? De novo, a nota não diz quase nada. Fala-se, muito genericamente, no “respeito à família”. “Ajude a promover, com seu voto, a proteção da família contra todas as ameaças à sua missão e identidade natural”. De novo, como na questão do aborto, não há a recomendação negativa que existe para a “má gestão dos recursos públicos”. Parece que, para a CNBB, a primeira e mais importante coisa que deve ser olhada é se o candidato possui “ficha limpa”. O resto, é plena discordância legítima. Votar em quem tem “histórico de (…) má gestão dos recursos públicos” é o único crime que não pode ser cometido, o único pecado cívico contra o Espírito Santo que não tem perdão. O resto, é coisa de pouca monta, é diversidade legítima. “Veja” se seu candidato é abortista, “ajude” a defender a família…

Sugiro que se catolicize este lixo naturalista emanado pela Conferência. Sim, católicos, votem apenas em quem possui a ficha limpa!

Seu candidato já foi terrorista? Ficha suja! Não vote nele! O seu candidato já desviou recursos públicos para a promoção da imoralidade na Parada da Vergonha Gay? Ficha suja! Má gestão dos recursos públicos! Não vote nele. O seu candidato já batalhou pela liberação do aborto no Brasil? Ficha suja! Não vote nele. Já autorizou o uso de dinheiro público para o assassinato de crianças inocentes? Ficha suja! Má gestão dos recursos públicos! Não vote nele!

Só assim os católicos poderão exercer de maneira consciente a sua cidadania. Senhores bispos, custa falar as coisas da maneira que o povo entenda?

* * *

Como se não bastasse a desorientação pastoral que consta na tal nota, a primeira frase que se lê nela é uma grosseira heresia. Em negrito e itálico, é dito que “o poder político emana do povo”, em frontal contradição à carta de São Paulo aos Romanos, onde o Apóstolo diz que “não há autoridade que não venha de Deus” (Rm 13, 1).

Esta tese liberal e revolucionária de que o poder emana do povo já foi expressamente condenada pela Igreja. Por exemplo, pelo Papa Leão XIII, na Encíclia Libertas (o texto é longo, mas vale a pena ser lido porque é profético):

17. E, com efeito, o que são os partidários do Naturalismo e do Racionalismo em filosofia, os fautores do Liberalismo o são na ordem moral e civil, pois que introduzem nos costumes e na prática da vida os princípios postos pelos partidários do Naturalismo. — Ora, o princípio de todo o racionalismo é a supremacia da razão humana, que, recusando a obediência devida à razão divina e eterna e pretendendo não depender senão de si mesma, se arvora em princípio supremo, fonte e juiz da verdade. Tal é a pretensão dos sectários do Liberalismo, de que Nós falamos: não há, na vida prática, nenhum poder divino ao qual se tenha de obedecer, mas cada um é para si sua própria lei. Daí procede essa moral que se chama independente, e que, sob a aparência da liberdade, afastando a vontade da observância dos preceitos divinos, conduz o homem a uma licença ilimitada.

É o que, finalmente, resulta disto, principalmente nas sociedades humanas, é fácil de ver; porque uma vez fixada essa convicção no espírito de que ninguém tem autoridade sobre o homem, a conseqüência é que a causa eficiente da comunidade civil e da sociedade deve ser procurada, não num princípio exterior ou superior ao homem, mas na livre vontade de cada um, e que o poder público dimana da multidão como sendo a sua primeira fonte; além disso, tal como a razão individual é para o indivíduo a única lei que regula a vida particular, a razão coletiva deve sê-lo para a coletividade na ordem dos negócios públicos; daí o poder pertence ao número, e as maiorias criam o direito e o dever.

Leão XIII, Libertas Praestantissimum, grifos meus

O que eu grifei, e que o Papa condena, é exatamente o que, com quase as mesmas palavras, a CNBB afirma hoje! Se fossem católicos ignorantes, poder-se-lhes-ia desculpar; mas os pastores da Igreja iniciando um documento com uma erro doutrinário crasso já condenado pelo Magistério há muito tempo, é demais. Exsurge, Domine! Quare obdormis?

Que assim seja!

Leio em ZENIT que Dom Fernando Saburido vai receber o pálio no próximo dia 29 de junho. A mesma notícia recorda que a peça de lã branca é “símbolo da união com o sucessor de Pedro”. Que assim seja! Oremus pro Antistite nostro Ferdinando – stet et pascat in fortitudine tua, Domine, in sublimitate nominis tui.

Leio também que o Papa Bento XVI, em discurso aos bispos do Regional Leste II da CNBB, disse recentemente que os bispos têm “a missão de ensinar com audácia a verdade que se deve crer e viver, apresentando-a de forma autêntica”, e também que eles devem “procurar que a liturgia seja verdadeiramente uma epifania do mistério, isto é, expressão da natureza genuína da Igreja, que ativamente presta culto a Deus por Cristo no Espírito Santo”; pois “[d]e todos os deveres do (…) ministério [episcopal], «o mais imperioso e importante é a responsabilidade pela celebração da Eucaristia»”. Que assim seja! Não só para a “Regional Leste II”, mas para todo o Brasil.

E, por fim, leio com alegria o Santo Padre lembrar que, para ser cristão, é necessário tomar a sua cruz. “Tomar sua cruz significa empenhar-se em vencer o pecado que obstaculiza o caminho em direção a Deus, acolher diariamente a vontade do Senhor, intensificar sua fé especialmente diante dos problemas, das dificuldades, do sofrimento”. Que assim seja! Para todos nós, ad majorem Dei Gloriam.

Carta ao Santo Padre, dos participantes do encontro sobre o Summorum Pontificum em Garanhuns

Fonte: Diocese de Garanhuns

A Sua Santidade
O Papa Bento XVI

Beatíssimo Padre,

Participantes do “I Encontro Sacerdotal sobre o Motu proprio Summorum Pontificum, um grande dom espiritual e litúrgico para toda a Igreja”, realizado na cidade de Garanhuns, PE, Brasil, nos dias 17, 18 e 19 de junho de 2010, patrocinado pela Diocese de Garanhuns e pela Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, com o apoio e o incentivo da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, expresso em carta de S. Emcia. o Cardeal William Levada, no encerramento deste nosso encontro e ainda sob a influência da graça do Ano Sacerdotal, vimos expressar a nossa profunda gratidão pelo ministério petrino de Vossa Santidade, a nossa sincera solidariedade, união e plena comunhão, bem como o nosso leal desejo de colaborar com o Sucessor de Pedro e Vigário de Jesus Cristo na aplicação da Carta Apostólica Summorum Pontificum, colocando todo o nosso empenho na construção da “Paz litúrgica”, tão desejada por Vossa Santidade.

Este nosso Encontro, que foi previamente comunicado à CNBB e à Nunciatura Apostólica no Brasil, contou com a participação de Sacerdotes oriundos de diversas partes do nosso País, cada qual com a devida permissão do seu Bispo ou Superior, tendo sido realizado, portanto, dentro do mais autêntico espírito de comunhão eclesial.

É com esse espírito de comunhão e colaboração com a Igreja no Brasil e no mundo que imploramos humildemente a Vossa Santidade a Benção Apostólica para nossas pessoas e nosso ministério.

Garanhuns, 19 de junho de 2010.

+ Fernando Guimarães, Bispo Diocesano de Garanhuns, PE

+ Fernando Áreas Rifan, Administrador Apostólico – Campos, RJ

+ Adalberto Paulo da Silva OFMCap, Bispo Auxiliar emérito de Fortaleza, CE

Mons. Lucilo Alves Machado, Reitor do Rosário dos Pretos, Natal, RGN

Mons. Joelson Alves de Andrade, Pároco de Santo Antônio, João Pessoa, PB

Pe. Paulo Sampaio, C.O – Congregação do Oratório, São Paulo, SP

Mons. Sérgio Costa Couto, Reitor de Nossa Senhora do Outeiro da Glória, representando a Arquidiocese do Rio de Janeiro, RJ

Pe. Jailton da Silva Soares, Vigário Paroquial da Catedral de Natal, RN

Pe. Érico Rodrigues de Mello Falcão, Vigário Paroquial da Catedral de Maceió, AL

Diác. João Jefferson Chagas, Arquidiocese do Rio de Janeiro, RJ

Pe. Nildo Leal de Sá, Pároco de São Sebastião e São Cristovão, Arquidiocese de Olinda e Recife

Frei Pedro Rogério Martins OFMConv, Pároco de Nossa Senhora Aparecida e Cristo Redentor, João Pessoa, PB

Frei Marcelo da Silva Dutra OFMConv, Vigário Paroquial de Nossa Senhora Aparecida e Cristo Redentor, João Pessoa, PB

Pe. Expedito Miguel do Nascimento, Administrador Paroquial Nossa Senhora dos Remédios, Recife, PE

Pe. José Sampaio Alves, Pároco de Porteiras, Diocese de Crato, CE

Pe. Claudiomar Silva Souza, Pároco da Igreja Principal da Administração Apostólica S. João Maria Vianney, Campos, RJ

Manoel Lourenço de Oliveira, seminarista da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, Paulista, PE

Rodrigo Alves de Oliveira Arruda, seminarista da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, Paulista, PE

Dom Bento de Lyra Allertin OSB, Prior Conventual do Mosteiro de São Bento de Pouso Alegre, MG

Pe. Ricardo Pereira da Silva, Pároco de Cristo Rei, Arquidiocese de Campo Grande, MS

Pe. Salmuel Brandão de Oliveira MSC, Professor de Sagrada Escritura, Faculdade Católica de Fortaleza, CE

Pe. Carlos Augusto Azevedo da Silva, Pároco de Santa Maria Goretti, Arquidiocese de Belém, PA

Pe. Marcelo Protázio Alves, Pároco da Imaculada Conceição, Quipapá, Diocese de Garanhuns

Pe. Wiremberg Silva, Arquidiocese de Belém

Pe. Reinaldo Barbosa, Vigário da Paróquia de Santa Rita de Cássia, Arquidiocese de Sorocaba, SP

Pe. José Emerson Alves da Silva, Pároco de São Sebastião, Diocese de Garanhuns, PE

Pe. José Edilson de Lima, Administração Apostólica São João Maria Vianney, Juiz Auditor do Tribunal Eclesiástico do Rio de Janeiro

Orientação sobre “Missas de Cura e Libertação”

[Neste documento recente da CNBB sobre Liturgia, publicado por ocasião da 48ª Assembléia Geral que ocorreu em Brasília no mês passado, encontram-se as orientações sobre as (assim chamadas) “Missas de Cura e Libertação” que seguem abaixo.

Entre outras coisas, a propósito, pode ser encontrada no referido documento a verdadeira palhaçada sobre a tradução da Editio Typica Tertia do Missal Romano que foi publicada em 2002 (isso mesmo, há oito anos!) e corrigida em 2008, sobre a qual a CNBB tem a vergonha de afirmar que pretende, “na Assembleía Geral de 2011, apresentar para votação final, os textos do Ciclo Pascal e se possível também dos Domingos do Tempo Comum e do Ordinário da Missa, para então enviarmos a Roma tudo que já estiver aprovado”…

No entanto, as orientações sobre as referidas celebrações litúrgicas (relativamente comuns em meios carismáticos) estão – graças a Deus, e miraculosamente – fiéis ao que ensina a Igreja.]

1. MISSAS DE CURA

    Nossa Comissão recebe inúmeros pedidos de esclarecimentos ou orientações sobre as assim chamadas “missas de cura” ou “missas de cura e libertação”. Trata-se de missas celebradas em horários especiais, com a finalidade específica de obter de Deus a cura e a libertação de todo tipo de doença.

    Muitas perguntas se colocam: será que esta prática não estará passando para o povo uma compreensão reducionista ou, pior ainda, utilitarista e mágica da missa? Qual o verdadeiro sentido teológico-litúrgico da celebração eucarística? Porque não usamos a bênção dos enfermos indicadas no Ritual de Bênçãos? Porque não rezar a “Missa pelos doentes” indicada no Missal Romano (Missa por várias necessidades, n. 32)? As intenções que apresentamos nas Preces dos Fiéis não tem “força” ou “eficácia”? Lembramos ainda que o Ritual da Unção dos Enfermos prevê o Rito da Unção dos Enfermos na missa. Aliás, seria muito oportuno insistir no estudo da Introdução do Ritual da Unção dos Enfermos e sua assistência pastoral. Enfim, além de rezar pelos doentes, é oportuno lembrar o que diz a referida introdução no no. 35: “Os sacerdotes lembrem-se do seu dever de visitar pessoalmente os enfermos com toda a solicitude e de ajudá-los com generosa caridade. Compete-lhes sobretudo, ao ministrar-lhe os sacramentos, despertar a esperança no coração dos presentes e reanimar a fé no Cristo padecente e resssuscitado, de modo que, ao trazerem o maternal carinho da Igreja e o consolo da fé, confortem aqueles que crêem e levem os outros a voltarem-se para as coisas do alto”.

    No Conselho Permanente de 2004, iniciou-se um estudo para oferecer “Orientações teológico-litúrgicas e pastorais a propósito das chamadas ‘missas de cura e libertação’”. Infelizmente, não se chegou à conclusão deste tema. Como a questão continua a exigir um posicionamento claro por parte de nós, Bispos, queremos encaminhar, até a próxima Assembleia Geral uma proposta de documento a ser preparado juntamente com outras Comissões Episcopais e ser submetido à aprovação.

    Convidamos os Bispos a encaminharem para a Comissão de Liturgia subsídios, livros de canto e orações, relato de experiências em torno destas missas para que possam enriquecer nossa reflexão.

    Colocamos na pasta de cada Bispo a INSTRUÇÃO SOBRE AS ORAÇÕES PARA ALCANÇAR DE DEUS A CURA, publicado pela Congregação para a Doutrina da Fé, em 2000. Temos aí a apresentação de aspectos doutrinais (I Capítulo) e as Disposições disciplinares (II Capítulo) que nos ajudam no exercício de nossa responsabilidade litúrgica nesta questão.