Diversos

– Um pequeno – mas muito bom! – texto sobre a alma da Dicta & Contradicta: Apenas Letal. “Uma casa é uma pilha de tijolos, mas não é apenas uma pilha de tijolos. Não acredita em mim? Vá aos fundos de uma olaria; lá haverá muitas pilhas de tijolos, mas nenhuma casa. A definição dada responde à causa material, à pergunta ‘do que é feito?’, mas é apenas uma parte da resposta à pergunta mais ampla ‘o que é?’. Faltou o mais essencial: uma casa é definida, antes de tudo, não pelos materiais que a compõem (embora também por eles), mas por seu projeto: ela é dividida em cômodos, cada um com sua função no todo cujo fim último é abrigar e permitir a vida de uma pessoa ou grupo delas. E o que é esse projeto? Ele está desenhado num papel, na planta, mas ele não é o desenho. Tanto é assim que é possível desenhar o mesmo projeto em outro papel com outro lápis, e nem por isso a casa terá dois projetos. O projeto é aquilo que o desenho expressa: a estrutura lógica, racional, da construção: os tamanhos e localizações dos cômodos, onde cada material será usado, a função de cada cômodo, etc. […] Tijolos sem projeto, e projeto sem tijolos, não seriam uma casa”.

Número especial da revista “Brava Gente” sobre o príncipe Dom Pedro Luiz de Orleans e Bragança. Um compêndio de tudo o que aconteceu com a Família Imperial desde o desaparecimento do vôo 447 da Air France; de quebra, uma oportunidade de conhecer melhor a Casa Imperial.

Não há lugar no ministério sacerdotal para pedófilos, como diz Dom Cláudio Hummes. Sem dúvidas, Eminência, sem a menor sombra de dúvidas: eis o verdadeiro discurso do óbvio! No entanto, é de se lamentar que Sua Eminência prefira louvar os sacerdotes por serem homens que “se esforçam pela dignidade humana, pelos direitos humanos, a justiça social e a solidariedade com os pobres”. Data venia, Eminência, não é este o apanágio do sacerdote católico!

– Hoje é dia de San Josemaría Escrivá, e o santo espanhol fala sobre o sacerdócio muito melhor do que o cardeal brasileiro: “Através desse sacerdócio ministerial, que difere essencialmente – e não com uma simples diferença de grau do sacerdócio comum de todos os fiéis -, os ministros sagrados podem consagrar o Corpo e o Sangue de Cristo, oferecer a Deus o Santo Sacrifício, perdoar os pecados na confissão sacramental e exercer o ministério da doutrina in iis quae sunt ad Deum, em tudo e somente naquilo que se refere a Deus”. San Josemaría Escrivá de Balaguer, rogai por nós!

– Uma interessante decisão do juiz Valter Alexandre Mena, da 3ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, ao suspender parte da Lei Antifumo estadual. Vale a pena dar uma olhada na íntegra da decisão, da qual destaco:

Veja-se o paradoxo: o governo federal aumentou a alíquota para os cigarros e a reduziu para os carros, supostamente para reduzir o consumo daqueles em proteção da saúde. Na verdade, trata-se apenas de compensar a perda (1,5 bilhão) com a redução tributária de um setor, transferindo-a para o outro. Ora, os veículos (dada a péssima qualidade do combustível) poluem muito mais e prejudicam muito mais a saúde. E nada indica que haverá redução do consumo de cigarro, porque 40% não pagam impostos (contrabandeados ou produzidos por sonegadores), mas sim estimular a ilegalidade.

Quanto ao tabaco, existem alternativas, há medida intermediária à proibição: de um lado, áreas reservadas ou fumódromos; de outro, a livre escolha dos não-fumantes em frequentar tais ambientes.

As discotecas (danceterias) são ambientes de marcante poluição sonora (também prejudicial à saúde, inclusive dos empregados) e freqüentadas voluntariamente pelos que gostam de barulho, sem qualquer proibição em respeito à liberdade individual. Quem não aprecia, não é obrigado a nelas ingressar. Se o faz, pratica ato de opção (alguém dirá que o freqüentador está viciado por dependência química? Ou está apenas ficando surdo?).

Mais de dez anos depois de a lei federal obrigar os empresários a despender recursos na instalação de fumódromos, vem a norma estadual dizer que eles são inúteis e devem deixar de existir em 90 dias.

Nascimento de São João Batista

Celebrando o nascimento de S. João Baptista, a Igreja festeja a aurora da Redenção; seis meses antes do Natal, o nascimento do Precursor anuncia o mistério da Incarnação e participa da sua grandeza. Na Idade Média era considerado como que uma espécie de Natal do verão, com três missas como o Natal; a liturgia realça a afinidade das duas festas: basta ler a secreta e a póscomunhão, bem como a antífona do Magnificat das 2as vésperas.

«Profeta do Altíssimo», S. João Baptista é figurado por Isaías e Jeremias. Como eles e melhor do que eles, foi santificado desde o ventre de sua mãe, em virtude da missão que o esperava (intróito, epístola, gradual). O Evangelho recorda os prodígios que assinalaram o seu nascimento: este devia ser causa de grande alegria para muitos: ainda hoje o é, e a Igreja convida todos os anos os fiéis a pedir a Deus, com a graça das alegrias sobrenaturais, a de sermos sempre guiados pelo caminho da eterna salvação (colecta).

O nome de S. João Baptista vem no cânon da missa, à cabeça da segunda lista.

[Missal Romano Quotidiano Latim-Português, por Dom Gaspar Lefebvre e os monges beneditinos de S. André, Bruges-Bélgica. p. 1126]

DE VENTRE matris meae vocavit me Dominus nómine meo: et posuit os meum ut gladium acutum: sub tegumento manus suae protexit me, et posuit me quasi sagittam electam. Ps. Bonum est confiteri Domino: et psallere nomini tuo, Altissime. V. Gloria Patri.

[Introitus da missa de hoje]

São João Batista foi santificado no ventre de sua mãe Santa Isabel – quando a saudação da Virgem Santíssima chegou-lhe aos ouvidos. Este é o primeiro milagre da Virgem Maria registrado nos Evangelhos: garantir que São João pudesse mais tarde merecer de Nosso Senhor aquele grandioso elogio, segundo o qual “entre os nascidos de mulher não há maior que João” (Lc 7, 28a).

Ora, não foi também Nosso Senhor nascido de mulher? Como pode, então, ser verdade que não há maior do que João entre os nascidos de mulher? A segunda parte do versículo ajuda a esclarecer: “Entretanto, o menor no Reino de Deus é maior do que ele” (Lc 7, 28b). Nosso Senhor pertence ao Reino de Deus desde toda a Eternidade e, por conseguinte, é maior do que ele. E assim explica Santo Ambrósio:

Preparó el camino al Señor no sólo cuando iba a nacer según la carne, naciendo antes que El y siendo su precursor, sino también precediéndolo en su gloriosa pasión. Por lo que sigue: “Que preparará tu camino delante de ti”. Pero si Jesucristo es profeta, ¿cómo puede decirse que San Juan es el mayor de los profetas? Fue el más grande entre los nacidos de mujer no virgen. Fue mayor que todos éstos, con quienes pudo igualarse en el modo de nacer. Por lo que sigue: “Por tanto, yo os digo, que entre los nacidos de mujeres, no hay mayor profeta, que Juan el Bautista”.

[in Catena Aurea]

E explica também Isidoro abad (não sei se é Santo Isidoro de Sevilha, ou algum outro que eu não conheça): “También puede decirse que San Juan es el mayor entre los nacidos de mujer, porque ya profetizó desde el vientre de su madre y, cuando todavía estaba en tinieblas, no desconoció la luz que ya había venido”. E isso mais uma vez remete à cena da Visitação que contemplamos todos os dias no Santo Rosário: “Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio” (Lc 1, 44). São João Batista é o maior dos profetas porque profetizou no ventre de Santa Isabel, reconheceu a voz da Mãe de Deus, reconheceu a Luz que havia refulgido nas Trevas quando todo o mundo ainda era Trevas. Quando ainda nem podia falar, já dava testemunho de Nosso Senhor.

E quanto à Virgem Santíssima? Seria por acaso Ela menor do que São João Batista? Decerto que não. Primeiro, porque também Ela pertence ao Reino dos Céus desde a Sua Imaculada Conceição [e, por eleição do Altíssimo, desde toda a Eternidade]; Maria Santíssima foi santificada no ventre da mãe, ainda antes de São João Batista. E, segundo, porque o efeito não pode ser maior do que a sua causa. E quem fez São João Batista profetizar no ventre da sua mãe e reconhecer a Luz que viera ao mundo – quem fez com que São João Batista fosse o maior dentre os nascidos de mulher – foi justamente Maria Santíssima, cuja voz chegou aos ouvidos de Santa Isabel e realizou o primeiro milagre do Novo Testamento: “a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo” (Lc 1, 41).

É este milagre que faz com que possamos celebrar a festa de hoje; único santo da Igreja (como já disse aqui) cuja festa é celebrada no dia do seu nascimento e não no da sua morte. Todos os santos nasceram pecadores e tornaram-se santos ao longo de suas vidas; São João Batista teve o singular privilégio – graças à Visitação de Maria Santíssima – de já nascer Filho de Deus. Que ele possa interceder por nós; e que nós possamos escutar a sua voz, a fim de endireitarmos as nossas veredas e bem nos prepararmos para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Sancte Ioannes Baptista,
Ora pro nobis!

Miscelânea de véspera de feriado

Mais coisas a comentar do que tempo para o fazer…

Manifesto do Silêncio, proposto pela ABRACEH, sobre o julgamento da psicóloga Rozangela Justino que foi remarcado para o dia 31 de julho de 2009. A ABRACEH também destaca a atividade do deputado federal Paes de Lira, que – entre outras coisas – conseguiu aprovar um requerimento para que houvesse uma audiência pública onde a própria dra. Rozangela, junto com “Joide Miranda (que deixou a condição de travesti), Claudemiro Soares (escritor do livro sobre abordagens terapêuticas para deixar a homossexualidade, ele mesmo tendo saído dela), além do Pastor Silas Malafaia e um representante da CNBB”, possam expressar o seu ponto de vista “acerca do Estatuto da Família e Leis da Homofobia”. Não sei a data desta audiência.

– Hoje é dia de São Thomas More e São João Fisher, mártires da Reforma Protestante na Inglaterra que não aceitaram o cisma de Henrique VIII. Vejam este texto e este outro sobre São João Fisher, junto com este e este sobre São Thomas More. E que os santos que não se dobraram diante do protestantismo possam interceder pela conversão dos hereges e cismáticos à única Igreja de Cristo.

Campanha pela santificação do clero brasileiro lançada pelo Veritatis Splendor. Nas atuais conjunturas chega às raias da utopia [possui coisas como “[q]ue os sacerdotes sejam absolutamente fiéis ao Magistério e valorosos defensores do Papa”, “[q]ue os sacerdotes ensinem a verdadeira DSI e a verdadeira moral, e deixem de favorecer a Teologia da Libertação” e “[q]ue os sacerdotes honrem o latim na liturgia e celebrem a Missa, mesmo na forma ordinária, em latim em suas igrejas”…], é forçoso reconhecer, mas precisamos rezar pelos nossos sacerdotes. Que a Virgem Santíssima consiga um portentoso milagre para esta Terra de Santa Cruz.

Presos dois homens acusados de intolerância religiosa. Protestantes da “Igreja Geração Jesus Cristo” (sic). É o primeiro caso de prisão por intolerância religiosa que ocorre no Brasil. A despeito de ser óbvio que ninguém pode invadir a casa dos outros e sair quebrando as coisas, a condenação está equivocada e pode abrir um perigoso precedente, porque caberia no máximo uma pena por invasão de domicílio e danificação de propriedade privada, não por “intolerância religiosa”. Guardadas as devidas e necessárias proporções entre os protestantes sem noção e os católicos de antigamente, destruir ídolos é em si uma coisa boa. Hernan Cortez o fez no México, e São Francisco Xavier, na Indonésia. Quando o Estado começa a se meter em questões religiosas, legislando sobre matéria que não tem competência, onde estão os defensores do Estado Laico?

FSSPX ordena treze novos sacerdotes nos Estados Unidos, “de surpresa”, em meio à polêmica sobre outras ordenações que estavam marcadas para o fim do mês; estas que geraram celeuma estão programadas para o dia 27 de junho, na Alemanha. Bom, o que dizer diante disso? Por um lado, cabe perguntar se não seria possível à FSSPX esperar um pouco e ter um mínimo de deferência ao Santo Padre que, não obstante esteja tratando com tanta benevolência os lefebvristas, ainda não conferiu status canônico algum à Fraternidade; por outro lado, talvez fosse utópico achar que uma simples canetada fosse transformar de repente a São Pio X em ovelha dócil e fiel ao Sucessor de Pedro. Estas ordenações provavelmente vão gerar ainda mais confusão. Rezemos pelo Papa, rezemos pela FSSPX.

Alguns mitos sobre as cruzadas, texto excelente disponível na Quadrante. “A atual visão a respeito das Cruzadas nasceu do Iluminismo do século XVIII. Muitos dos então chamados “filósofos”, como Voltaire, pensavam que a Cristandade medieval fora apenas uma vil superstição. Para eles as Cruzadas foram uma migração de bárbaros devida ao fanatismo, à ganância e à luxúria. A partir desse momento, a versão iluminista sobre as Cruzadas entrou e saiu de moda algumas vezes. As Cruzadas receberam boa imprensa e foram consideradas como guerras de nobreza (mas não de religião) durante o Romantismo e até o início do século XX. Depois da Segunda Guerra, contudo, a opinião geral voltou-se decisivamente contra as Cruzadas. Na esteira de Hitler, Mussolini e Stalin, os historiadores concluíram que a guerra por motivos ideológicos – seja qual for a ideologia em questão – é abominável”.

Santo António de Pádua

[Excerto de sermão de Santo António de Pádua, “O Bom Cristão segue o exemplo das abelhas”]

Lê-se na história natural que as abelhas pequeninas trabalham sem descanso. Têm asas fininhas e são de cores mais escuras, como se fossem queimadas.

Abelhas pequenas são os bons cristãos sem pretensões que só se ocupam de boas e úteis obras, de forma que o diabo não os encontra nunca de mãos vazias ou desocupadas.

Têm asas finas, isto é, desprezam as vaidades e os prazeres do mundo e se inflamam de amor pelo Reino Celestial. Com essas asas sobem alto, voando livres no ar puro, com o coração fixo na Glória de Deus.

As abelhas trabalhadeiras são de cor escura, como se fossem queimadas. A respeito disto, a alma cristã exclama no Cântico dos Cânticos (1.5-6): “Sou morena, mas formosa, ó filhas de Jerusalém, sou como as tendas de Cedar, como os pavilhões de Salomão. Não repareis na minha tez morena, pois foi o sol que me queimou!” Oh! anjos do céu, oh! almas santas, sou morena porque as abstinências, os jejuns, as vigílias e outras penitências me tomaram assim. Porém, sou bela na alma pela pureza da mente e pela integridade da fé. Sou morena como as tendas de Cedar, que quer dizer nômade; habito de fato em tendas móveis que se transportam de um lugar para o outro, das quais os soldados atacam ou nas quais são atacados, “porque não temos aqui embaixo nenhuma cidade permanente, andamos em busca da que há de vir” (Hb 13,14).

Não deis importância ao fato de eu ser morena, pois sou morena porque o sol me queimou. O sol em eclipse descora todas as coisas. Assim Jesus Cristo, o verdadeiro sol, “que conheceu seu ocaso” (SI 103,19) quando na cruz padeceu o eclipse da morte, deixou a atração das vaidades, as falsas glórias, todas as honras mundanas.

Por isso, a alma cristã pode afirmar com razão: “Sim, sou morena, minha pele é escura, o sol me queimou”. Enquanto, com efeito, com os olhos da fé eu contemplo a meu Deus, meu esposo, meu Jesus, pregado na cruz, atravessado por cravos, alimentado com fel e vinagre, e coroado de espinhos, toda a beleza, toda a glória, toda a honra, toda a pompa mundana empalidece a meus olhos e perde todo o valor… Eis aqui, estas são as abelhas pequenas e escuras, como se fossem queimadas. Assim pensam e atuam os verdadeiros cristãos.

Abelhas de bela aparência são ao contrário todos os cristãos inautênticos e todos os que não sabem fazer outra coisa senão agitar aos quatro ventos as falsas credenciais de sua falsa honestidade e bondade, enquanto na realidade são somente sepulcros, de aparência bela e solene, porém cheios por dentro de podridão e ossos ressequidos…

* * *

[Trecho de Biografia de Santo António de Pádua]

Na solidão do claustro, Santo Antônio entregou-se com empenho à oração e ao estudo. Aprofundou-se na doutrina do grande doutor da igreja, santo Agostinho, e começou a saborear a doçura e a suavidade do Senhor. Dedicou sua aguda inteligência a conhecer mais profundamente as Sagradas Escrituras, que, sendo livros inspirados por Deus, contêm, “a plenitude da sabedoria”- expressão muito usual entre os mestres de teologia da Idade Média. Vale destacar que, na leitura dos Santos Padres da Igreja, guardava na memória tudo o que lia, levantando a admiração dos monges que o cercavam. Os anos que permaneceu em Coimbra foram determinantes para o conhecimento das ciências sagradas. Entretanto, esses progressos eram mais frutos da graça de Deus e de seu esforço pessoal do que do ambiente monacal e do trabalho dos mestres competentes, pois naqueles anos os monges do mosteiros estavam envolvidos nas intrigas políticas de seu país, muito nefastas e cruéis. Foi chamado “arca do Testamento” pelo Papa Gregório IX e Tomás de Vercelli, por causa de seu método de exegese e também “Martelo dos hereges”. Foi considerado exímio teólogo, peritíssimo exegeta e perfeito frade menor, porque num tempo de grave crise da Ordem, fez da pregação como que uma cátedra itinerante, considerando-a como uma lição de teologia.

Passava muitos dias em meditação e oração e enquanto rezava em um desses eremitérios, recebeu a visita do Menino Jesus. Em razão dessa aparição, Santo Antônio é representado carregando o Menino Jesus nos braços. O lírio que aparece nos braços ou nos pés, é o símbolo da pureza. A sua mensagem de fé e de amor para com Deus e a sua caridade para com os pobres continuam atuais. Sal da terra e luz do mundo, Santo Antônio é tão procurado pelas pessoas que se tornou um dos santos mais populares do mundo.

* * *

[Trecho de mais um texto sobre Santo António]

Segundo alguns de seus biógrafos, na adolescência Fernando foi acometido por violenta tentação contra a pureza. Para aplacá-la, estando na catedral, o jovem traçou uma cruz com os dedos, numa coluna de mármore, ficando nela impressa como em cera. Avaliando nessa ocasião os perigos que corria, o adolescente quis entrar para o mosteiro de São Vicente de Fora, dos Clérigos Regulares de Santo Agostinho, nos arredores da capital portuguesa, quando contava 19 anos de idade.

[…]

Um dos milagres mais conhecidos de Santo Antonio foi sua pregação aos peixes. Em Rimini, durante seu sermão, o povo se mantinha indiferente. Abandonando seus ouvintes, foi pregar à beira-mar. Milhares de peixes de vários tipos e tamanhos puseram a cabeça fora da água para ouvir o santo, que tinha sido seguido pela população da cidade, testemunha do milagre.

Santo Antonio foi cognominado “Martelo dos Hereges”, porque a heresia não teve inimigo mais formidável. Sua mais antiga biografia, conhecida pelo nome de Assídua, relata: “Dia e noite tinha discussões com os hereges; expunha-lhes com grande clareza o dogma católico; refutava vitoriosamente os preceitos deles, revelando em tudo ciência admirável e força suave de persuasão que penetrava a alma dos seus contrários”.

* * *

Santo António de Pádua,
rogai por nós!

Pensamentos soltos – na festa da Virgem de Fátima

Algumas linhas ligeiras: já passa da meia-noite, mas postergar a hora de se recolher é fazer o dia esticar um pouco mais, e o dia 13 de maio é bonito o suficiente para que mereça ser esticado. Dia de Nossa Senhora de Fátima; dia de Maria Santíssima.

Um dos tantos títulos da Virgem Santíssima! Por que tantos? Porque as grandezas da Virgem Santíssima são tantas que “não cabem” em um só. Na Anunciação, Ela é Virgo Fidelis; em Belém, é Mater Salvatoris. Aos pés da Cruz, é Mater Dolorosa; no Cenáculo, é Regina Apostolorum. Nas nossas doenças, é Salus Infirmorum; nas tristezas, Consolatrix Afflictorum. Quando pecamos – tantas, tantas vezes… ! -, é Refugium Peccatorum; em todas as nossas necessidades, Auxilium Christianorum. No Brasil, Nossa Senhora Aparecida; na França, Nossa Senhora de Lourdes. Em Portugal, Nossa Senhora de Fátima: e é esta a festa do 13 de maio, da Cova da Iria, dos três pastorinhos.

É fabulosa a aparição de Fátima: a Rainha dos Céus, mais brilhante que o Sol, aparecendo num lugarejo pobre de Portugal que, depois, transformou-se em um dos maiores santuários marianos do mundo. Aparecendo a três crianças pobres. Confiando-lhes segredos do Céu. Prometendo-lhes o Céu.

Gosto de pensar em Maria Santíssima como Mãe, uma Mãe de quem os filhos – crianças! – dependem completamente, e que pode dar-lhes mais até do que eles ousam sonhar. Não sei se Lúcia, Francisco e Jacinta tinham, antes de se encontrarem com a Virgem Santíssima, aquele desejo ardente do Céu que nós somos chamados a ter. Mas Ela lhes disse que eles iriam para o Céu: doces palavras, reconfortante promessa. Ainda mais depois da visão do Inferno. Ainda mais depois de saberem exatamente do que tinham escapado.

Eu também quero ir para o Céu, a despeito das minhas muitas falhas e dos meus numerosos pecados. E rogo a Deus sempre que me conserve e aumente a cada dia este santo desejo, esta consciência clara de que as melhores recompensas valem quaisquer esforços, e vale a pena lutar na terra para alcançar um dia o Céu. A despeito das minhas muitas falhas…

Gosto daquela oração à Virgem Santíssima que pus no blog, do lado direito. Poucas palavras: Recordare, Virgo mater, in conspectu Dei, ut loquaris pro nobis bona, et ut avertat indignationem suam a nobis. Arriscando traduzi-las: lembrai-Vos, Virgem Mãe, na presença de Deus, de falar coisas boas em nosso favor, e de afastar a Sua indignação de nós. E, olhando para mim, não consigo encontrar coisas boas, dignas de serem faladas na presença do Todo-Poderoso. Só Maria Santíssima é capaz deste portentoso milagre: arranjar coisas boas para falar em favor de um pecador miserável, de um verme desprezível. Porque Ela é Mãe, e as mães sabem falar bem dos seus filhos, por piores que sejam. É a minha esperança: que o amor materno de minha Mãe Santíssima seja maior do que as minhas falhas e imperfeições.

“E que afasteis de nós a indignação de Deus”: e que nos livre da condenação. Como rezamos todos os dias no terço: “livrai-nos do fogo do Inferno”. Como na Cova da Iria, como em Fátima, diante dos três pastorinhos, prometendo-lhes o Céu. Promessas de uma Rainha que é rica e poderosa, mas que – além disso – é Mãe e ama os Seus filhos. Eu também quero, ó Virgem Santíssima, ser contado no número dos que a Vós pertencem. A Vossa proteção recorro. Não desprezeis as minhas súplicas. Livrai-me de todos os perigos – ó Virgem Gloriosa e Bendita!

São Luis Grignion de Montfort – Liturgia das Horas

st-louis-montfortNasceu no dia 31 de janeiro de 1673, na França. Foi ordenado sacerdote no dia 05 de junho de 1700, no seminário de São Sulpício em Paris. Durante seus primeiros anos de sacerdócio, trabalhou principalmente para os pobres no hospital de Poitiers, onde conheceu Maria Luísa Trichet a quem orientou em sua vocação. O Papa Clemente XI lhe deu o título de “Missionário Apostólico” e percorreu a França anunciando aos pobres o mistério da Sabedoria e o amor de Cristo Encarnado e Crucificado. Estabeleceu  em todas as partes a prática do santo Rosário e da santa Escravidão de amor, ou perfeita Consagração a Cristo pelas mãos de Maria, como meio eficaz para viver fielmente os compromissos do batismo. Aos 43 anos de idade, dia 28 de abril de 1716, em plena missão popular no povoado de São Lourenço, Luís Maria foi chamado por Deus para a glória do céu. Sua atividade foi essencialmente missionária, assim como todo seu estilo de vida. Viveu numa pobreza total para evangelizar os pobres. No dia 12 de março de 1853, o Papa Pio IX declarou os seus escritos isentos de qualquer erro. Dentre estes é universalmente conhecido o “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima virgem Maria”. O Papa Leão XIII declarou-o beato no dia 22 de janeiro de 1888. Pio XII canonizou-o solenemente no dia 20 de julho de 1947. No dia 20 de julho o Papa João Paulo II inseriu sua Festa no calendário romano universal.

[…]

PRIMEIRAS VÉSPERAS

Hino
O.C. Cant. 11, 1-4

Vinde, Ó Jesus, que viveis em Maria;
vinde viver e reinar em nós,
que vossa vida se expresse em nossa vida,
para vivermos somente para vós.

Forjai em nossa alma, ó Cristo, vossas virtudes,
vosso Espírito divino e santidade,
vossas máximas perfeitas e vossas normas
e o ardor de vossa eterna caridade.

Dai-nos parte, Senhor, em vossos mistérios
para que possamos vos imitar.
vós que sois Luz da Luz, dai-nos vossas luzes,
e poderemos seguir os vossos passos.

Reinai, Cristo, em nós por vossa Mãe,
sobre o demônio e a natureza,
por causa de vosso nome soberano,
para a glória do Pai celestial. Amém.

Ant. 1 O Senhor me enviou a evangelizar com a manifestação de seu Espírito e de seu poder salvador, Aleluia.

[…]

Ant. 2 Pregamos a Cristo crucificado, que é força de Deus e sabedoria de Deus, Aleluia.

Ant. 3 Por Jesus Cristo, Deus nos predestinou a sermos seus filhos adotivos, Aleluia.

[…]

Preces

Oremos a Jesus Cristo, a Sabedoria eterna e encarnada, que constituiu a Luís Maria de Montfort seu missionário apostólico a serviço dos pobres e peçamos:

R. Venha o vosso Reino por meio da Virgem Maria.

Vós que elegestes o Papa Bento XVI como vigário de vosso amor, para presidir a caridade na Igreja,
– fazei que vossos ministros perseverem na doutrina dos santos Apóstolos e sejam fiéis despenseiros de vossos mistérios. R.

Vós que enviastes os vossos discípulos ao mundo inteiro a pregar a Boa Notícia a toda criatura,
– dai aos pregadores o dom de vossa sabedoria e confirmai sua Palavra com vossa graça. R.

Vós que inspirastes em São Luís Maria o desejo ardente de servir às necessidades da Igreja,
– inflamai nossos corações com o fogo do vosso Espírito para que possamos sempre sentir com a Igreja e dedicar-nos à evangelização dos pobres. R.

Vós que, por obra de São Luís Maria, suscitastes nossas famílias consagradas totalmente a vós pelas mãos de Maria,
– concedei-nos que, animados por vosso Espírito de sabedoria e guiados por Santa Maria Virgem, caminhemos de modo digno de nossa vocação. R.

Vós que sois a herança dos santos e o gozo que ninguém jamais poderá arrebatar,
– dai a vossos fiéis defuntos o gozo eterno e fazei-nos partícipes da glória do Reino dos Céus. R.

Pai nosso…

* * *

[Liturgia Própria da Família Monfortina, pp. 45-48, Edições Monfortinas, João Monlevade, 1999]

Sete Dores de Nossa Senhora

Na festa das Sete Dores da Bem-Aventurada Virgem Maria, vale a pena conhecer este Setenário das Dores de Nossa Senhora, escrito por Alphonsus de Guimaraens. São sete sonetos para cada uma das sete dores. Reproduzo aqui sete deles, um para cada uma das dores da Virgem Santíssima, escolhidos simplesmente por ser forçoso escolher: vale a pena a leitura da obra completa.

Nossa Senhora das Dores, rogai por nós!

PRIMEIRA DOR

Et tuam ipsius animam pertransibit gladius…
S. LUC. II, 35.

Que lhe importavam lágrimas? Chorasse
Desde o nascer do sol até o sol posto;
Tivesse prantos quando a lua nasce,
Quando, entre nuvens, ela esconde o rosto.

Junto ao seu Berço, a contemplar-lhe a Face,
De Mãe Divina no sublime posto,
Temendo que uma estrela O despertasse,
Gozo teria no maior desgosto.

Por Ele toda a mágoa sofreria…
Ah! corresse-lhe em fonte ardente o pranto
Na paz da noite e nos clarões do dia.

Sofrer por Ele… Sim. Tudo por Esse
A quem beijava os Olhos, mas contanto
Que Ele, o seu Filho amado, não sofresse!

* * *

SEGUNDA DOR

…Angelus Domini apparuit in somnis Joseph…
Qui consurgens accepit puerum et matrem ejus
nocte, et seccessit in Aegyptum.
S. MATTH. II, 13, 14.

José, filho de Reis, o Carpinteiro
Descendente da Casa do Salmista,
Acorda em plena noite, e o corpo inteiro
Treme-lhe, e um raio lhe perturba a vista.

Alvo Kerub ideal, de olhar guerreiro,
Com uns heráldicos sables de conquista,
Surge por entre nimbos, e o nevoeiro
Que faz a grande luz à treva mista.

Num pantaclo estelar estava escrito:
“Ele é o Filho de Deus. Acolhe-o, Esposo,
Ao solo ardente do abrasado Egito.”

“Meu Deus!” exclama o Santo, e mudo espia
A áurea face do Arcanjo luminoso:
Uma fonte de lágrimas corria.

* * *

TERCEIRA DOR

Fili, quid fecisti nobis sic? Ecce pater tuus et
ego dolentes quaerebamus te.

S. LUC. II, 48.

Foi por aquelas ruas circulares
Que O perdeste, Senhora, e que O não viste,
Sorrindo sob a luz dos seus olhares,
Ele, o Cordeiro amargurado e triste…

Quem pudera chorar os teus pesares,
Quem, na angústia a que o peito não resiste,
Te guiara em via-sacra pelos lares,
Sentindo toda a mágoa que sentiste!

Três dias procuraste, em mágoa imensa,
Sofrendo a multidão dos hebreus rudes,
Do Filho eterno a celestial Presença…

(Fé, Esperança, Caridade, hinário
De alívio à Mãe aflita, áureas Virtudes
Que haveis de segui-la até o Calvário!)

* * *

QUARTA DOR

Et bajulans sibi crucem, exivit in eum qui
dicitur Calvariae locum…

S. JOAN. XIX, 17.

Pontius Pilatus olha-O. Quieto e fundo
Olhar mau que talvez de ódio não fosse;
De ódio, não, mas de dúvidas fecundo…
E Cristo era de pé, sereno e doce.

Depois, aquele olhar, que de profundo
Se fizera de escárnio, iluminou-se:
— “És o Rei dos Judeus?” Que deste mundo
O seu Reino não era. E a Voz calou-se.

— “És Rei?” — “Disseste-o”. E a multidão oprime
A Pilatus. No entanto para a turba
Ele fala: — “Não lhe acho nenhum crime.

“Ei-los, Jesus e Barabás precito:
Qual à morte votais?” (A dor pertuba
O Céu de amplo clamor…) — “Jesus”! foi dito.

* * *

QUINTA DOR

Ubi crucifixerunt eum, et cum eo alios duos
hinc et hinc, medium autem Jesum.

S. JOAN. XIX, 18.

Vê-Lo não vos bastava, doce Dama,
Longe dos vossos maternais carinhos;
Sentir que a plebe vil, que ruge e clama,
Viesse em fúria assaltá-Lo nos caminhos:

Escarros que tombavam como lama
Sobre Quem é mais alvo que os arminhos:
E a Fronte real, em radiações de flama,
Cingida pelas pontas dos Espinhos:

Açoites, bofetadas, Cravos, Chagas,
E a Esponja, e a Lança, e o Fel, e a Sede estranha,
E o Sangue santo que corria em bagas:

Tudo era pouco para as vossas Dores…
Que ainda havíeis de vê-Lo na Montanha,
Expirando entre dois salteadores!

* * *

SEXTA DOR

Joseph autem mercatus sindonem, et deponens
eum involvit sindone…

S. MARC. XV,46.

Ora José de Arimatéia viera
Tomar o Corpo de Jesus. Mais cedo
Nicodemos no Gólgota estivera,
E com mirra voltara. E tinham medo.

Pois cada um destes homens puros era
Do bom Senhor discípulo em segredo,
Por temor dos judeus. Logo o soubera
O Sinedrim judaico, injusto e tredo.

Junto ao lugar do Sacrifício, um horto
Havia, e nele um monumento aberto
Onde nunca pousara nenhum morto.

Sepultaram-No, e a lápide fechou-se.
Viu-se depois o túmulo deserto:
Voara ao Céu Quem o Céu consigo trouxe.

* * *

SÉTIMA DOR

… et posuit eum in monumento quod erat
excisum de petra.

S. MARC. XV,46.

Entorna sobre mim as soberanas
Inspirações que brotam dos Altares,
Oh carisma de amor que tudo irmanas,
Serva de Deus, Esposa dos Cantares.

São matinas e vésperas… Hosanas
E aleluias a ti por sobre os mares,
A ti, branca açucena que dimanas
Dos celestes jardins que não têm pares.

Aleluias a ti por sobre a terra:
O espírito do mal, imundo e sevo,
Como um fluido incoercível, nos aterra…

Ah! Senhora, que sempre tu me prezes
Como a um filho: eis a prece que te elevo
Em meio ao temporal dos meus reveses.

Janua Coeli – In Annuntiatione Domini

Die 25 martii

In Annuntiatione Domini

[Visitem o SanctaMissa.org]

HONRAR A MÃE É HONRAR O FILHO

Confessar que Maria é mãe de Deus, é preservar a doutrina do Apóstolo São João que nos diz: “o que vimos e ouvimos vo-lo isso anunciamos” (1Jo 1, 3), fugindo de qualquer subterfúgio; é a pedra de toque com que detectamos as pretensões dos maus espíritos, do “Anticristo que entrou no mundo” (cf. 1Jo 4, 3). Essa confissão declara que Ele é Deus, implica que Ele é homem, sugere que Ele segue sendo Deus, mesmo se fazendo homem; e que é verdadeiro homem, mesmo sendo Deus.

Quando os hereges voltaram a surgir no século XVI, não encontraram tática mais certeira para seus perversos propósitos de destruir a fé verdadeira, ridicularizando e blasfemando contra as prerrogativas de Maria, pois tinham por certo que, se conseguissem que o mundo desonrasse a Mãe, disso se seguiria a desonra do Filho. A Igreja Católica e Satanás estavam de acordo com isso: o Filho e a Mãe estão intimamente ligados; a experiência de quatro séculos confirmou seus testemunhos, pois os católicos que honraram a Mãe seguem adorando o Filho, enquanto os protestantes, que deixaram de confessar o Filho, começaram a zombar da Mãe.

Percebe-se nesse exemplo a coerente harmonia que há na doutrina revelada, como uma verdade repercute sobre a outra. Exaltar Maria é honrar Jesus. Convinha que Maria, que era somente criatura – sendo a mais excelsa de todas – tivesse de levar a cabo a tarefa de instrumento. Como outros, Ela veio ao mundo para realizar uma obra; tinha uma missão a cumprir; possui a graça e a glória não por si mesma, mas por seu Criador. A Maria foi confiada a custódia da Encarnação. A tarefa lhe é encomendada: “Eis que uma Virgem está grávida e dará à luz um filho e dar-lhe-á o nome de Emanuel” (Is 7, 14).

Quando estava na terra cuidou pessoalmente de seu Filho, levou-o em seu seio, abrigou-o com seus braços, alimentou-o em seu peito, agora também – até o último momento da vida da Igreja – seus privilégios e a devoção dirigida a Maria proclamam e definem a fé reta acerca de Jesus como Deus e como Homem. Uma igreja dedicada, um altar que se erige em seu nome, uma imagem, uma ladainha que a louva, uma Ave Maria que se reza, comunica-nos a memória d’Aquele que, sendo louvado desde a eternidade, “não desprezou as entranhas de uma Virgem”, para benefício dos pecadores. Por isso, como a Igreja a proclama, Maria é a Torre de Davi, é a defesa alta e poderosa do verdadeiro Rei de Israel; por isso, a Igreja diz também em uma antífona: “Só Ela destruiu [sozinha] todas as heresias no mundo inteiro”.

[…]

MARIA, PORTA DO CÉU

Maria é chamada Porta do Céu porque foi o caminho que o Senhor escolheu para do céu descer à terra. O profeta Ezequiel, profetizando sobre Maria, diz: “Este pórtico ficará fechado. Não se abrirá e ninguém entrará por ele, porque por ele entrou Iahweh, o Deus de Israel, pelo que permanecerá fechado. O Príncipe, contudo, se sentará aí” (Ex 44, 2-3).

Pois bem, isso se cumpriu, não porque Nosso Senhor tomou a carne de Maria tornando-se seu filho, e sim porque Ela ocupou um lugar na economia da Redenção; cumpriu no espírito e na vontade, como em seu corpo. Eva participou da queda do homem, sendo Adão quem nos representou e seu pecado nos fez pecadores. Foi Eva quem tomou a iniciativa e tentou Adão. A Escritura diz: “A mulher viu que a árvore era boa ao apetite e formosa à vista, e que essa árvore era desejável para adquirir discernimento. Tomou-lhe do fruto e comeu. Deu-o também a seu marido, que com ela estava, e ele comeu” (Gn 3, 6). Convinha, pois, à misericórdia de Deus que, como pela mulher começou a destruição do mundo, também fosse pela mulher que começasse a reconstrução; e como Eva abriu o caminho à obra fatal de Adão, também Maria abrisse o caminho à obra prima do segundo Adão, Nosso Senhor Jesus Cristo, que veio salvar o mundo morrendo na Cruz. Por isso, Maria é chamada pelos Santos Padres, segunda e perfeita Eva, porque deu o primeiro passo na salvação da humanidade que Eva havia levado à ruína.

Como e quando tomou Maria parte inicial, na restauração do mundo? Quando o anjo Gabriel apareceu para lhe dar a conhecer a excelsa dignidade que ia ter. São Paulo diz: “que ofereçais vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: esse é o vosso culto espiritual” (Rm 12, 1). Devemos não só rezar com os lábios, jejuar, fazer penitência exterior, ser castos em nossos corpos, mas também devemos ser obedientes e puros de espírito. Com respeito à Santíssima Virgem, foi desejo de Deus que aceitasse voluntariamente e com pleno conhecimento ser Mãe de Nosso Senhor, não que fosse um mero instrumento passivo cuja maternidade não teria mérito nem recompensa. Quanto mais altos são nossos dons, mais alta é nossa responsabilidade. Não foi uma carga leve estar tão intimamente próxima do Redentor dos homens e a Virgem a experimentou quando sofreu junto com Ele. Por isso, ponderando bem as palavras do anjo antes de dar uma resposta, primeiro perguntou se uma missão tão excelsa, suporia a perda da virgindade que Ela havia consagrado a Deus. Quando o anjo lhe respondeu que de nenhuma maneira, então, com o pleno consentimento de um coração cheio do amor de Deus, com humildade disse: “Eis a serva do Senhor; faça-se m mim segundo tua palavra” (Lc 1, 38). Com esse consentimento se converteu na Porta do Céu.

[Cardeal Newman, “Reflexões sobre a Virgem Santíssima”, pp. 19-21; 64-66. Editora Formatto, São Paulo, 2006]

São José, rogai por nós!

Die 19 martii

Sancti Ioseph, sponsi B. Mariæ Virginis

[Visitem o SanctaMissa.org]

Uma solenidade no meio do tempo Quaresmal; paramentos brancos, contrastando com o roxo dos demais dias. O Gloria in Excelsis Deo entoado mais uma vez, quando já há algumas semanas não o ouvíamos; uma festa de Primeira Classe, no coração da Quaresma! Peçamos hoje a especial proteção de São José, protetor da Santa Igreja. Vejamos:

– Professor Felipe Aquino, sobre a festa de São José;

Se S. José foi escolhido para Esposo de Maria, a mais santa de todas as mulheres, é porque ele era o mais santo de todos os homens.  Se houvesse alguém mais santo que José, certamente seria este escolhido por Jesus para Esposo de Sua Mãe Maria. Nós não pudemos escolher nosso pai e nossa mãe, mas Jesus pôde, então, escolheu os melhores que existiam.

Le voci che da tutti, carta apostólica de João XXIII, segundo da qual São José é… Padroeiro do Vaticano II!

Ó s. José! Aqui, aqui mesmo é vosso lugar de “Protetor da Igreja universal”. Quisemos apresentar-vos, através das palavras e dos documentos de nossos predecessores imediatos dos últimos séculos – de Pio IX a Pio XII – uma coroa de honra, como eco dos testemunhos de afetuosa veneração que se eleva igualmente de todas as nações católicas e de todas as regiões missionárias. Sede sempre nosso protetor. Que vosso espírito interior de paz, de silêncio, de bom trabalho e de oração, a serviço da santa Igreja, nos vivifique sempre e nos alegre em união com vossa santa esposa, nossa dulcíssima Mãe Imaculada, num fortíssimo e suave amor a Jesus, Rei glorioso e imortal dos séculos e dos povos. Assim seja.

– Antônio Carlos Santini, em poema sobre o santo:

Os dois abraços
(Antônio Carlos Santini)

Inda se vê no céu a estrela matutina
A despedir seus raios sobre Nazaré
E já trabalha e sua o bom José:
Um tanto ferreiro, um tanto carapina

Inda é bem cedo: o galo da manhã clarina,
Convida o burgo pobre a se postar de pé.
Fina fumaça esfuma o céu, da chaminé
Da casa de Maria, aos fundos da oficina.

Entra o menino e abraça o pai devagarinho…
E a túnica do pai recende a cedro e pinho,
O cheiro da floresta quando a chuva cai…

Se um dia, no calvário, ele abraçou a cruz,
Por certo há de se lembrar, o salvador Jesus,
Que tinha esse perfume a túnica do pai…

– E, por fim, rezemos a Ladainha de São José:

Litaniae Sancti Ioseph

[PrecesLatinae.org]

Kyrie, eleison.
R. Christe, eleison.
Kyrie, eleison.

Christe, exaudi nos.
R. Christe, audi nos.

Pater de caelis, Deus,
R. miserere nobis.
Fili, Redemptor mundi, Deus,
R. miserere nobis.
Spiritus Sancte Deus,
R. miserere nobis.
Sancta Trinitas, unus Deus,
R. miserere nobis.

Sancta Maria,
R. ora pro nobis.

Sancte Ioseph,
R. ora pro nobis.

Proles David inclyta,
R. ora pro nobis.

Lumen Patriarcharum,
R. ora pro nobis.

Dei Genetricis Sponse,
R. ora pro nobis.

Custos pudice Virginis,
R. ora pro nobis.

Filii Dei nutricie,
R. ora pro nobis.

Christi defensor sedule,
R. ora pro nobis.

Almae Familiae praeses,
R. ora pro nobis.

Ioseph iustissime,
R. ora pro nobis.

Ioseph castissime,
R. ora pro nobis.

Ioseph prudentissime,
R. ora pro nobis.

Ioseph fortissime,
R. ora pro nobis.

Ioseph oboedientissime,
R. ora pro nobis.

Ioseph fidelissime,
R. ora pro nobis.

Speculum patientiae,
R. ora pro nobis.

Amator paupertatis,
R. ora pro nobis.

Exemplar opificum,
R. ora pro nobis.

Domesticae vitae decus,
R. ora pro nobis.

Custos virginum,
R. ora pro nobis.

Familiarum columen,
R. ora pro nobis.

Solatium miserorum,
R. ora pro nobis.

Spes aegrotantium,
R. ora pro nobis.

Patrone morientium,
R. ora pro nobis.

Terror daemonum,
R. ora pro nobis.

Protector sanctae Ecclesiae,
R. ora pro nobis.

Agnus Dei, qui tollis peccata mundi,
R. parce nobis, Domine.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi,
R. exaudi nobis, Domine.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi,
R. miserere nobis.

V. Constituit eum dominum domus suae.
R. Et principem omnis possessionis suae.

Oremus: Deus, qui in ineffabili providentia beatum Ioseph sanctissimae Genetricis tuae Sponsum eligere dignatus es, praesta, quaesumus, ut quem protectorem veneramur in terris, intercessorem habere mereamur in caelis: Qui vivis et regnas in saecula saeculorum. Amen.